Poemas do Mar

A Rita nasceu no Macapá (Piaui) à beira-mar; casou e veio morar para Camocim à beira-mar. Convencia-a a vir cozinhar para nós na Baía das Caraúbas e ela veio porque é à beira-mar. Ela trouxe o doce de melancia, o doce de banana caramelizado e o doce de abacaxi com pimenta, entre muitos outros pratos deliciosos; trouxe também um imenso conhecimento bíblico, sabendo os nomes, as histórias e as relações de parentesco de mais de 200 personagens do antigo testamento.

A Rita faz parte daquela gente especial, que é a gente da Rota das Emoções; aquela gente simples e genuína, cheia de aceitação e humildade, que crescendo junto ao mar, cedo aprendeu que o mar que dá é também, muitas vezes, o mar que tira. Agradeço à Rita ter-me enviado um poema do Fernando Pessoa, que vou aqui deixar.

Mar Português

Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!

Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!
Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.

Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.


Publicado por Mário Vieira de Carvalho

Sou um pescador de sonhos, que não consegue estar muito tempo longe do mar. Em 1999 fui de férias ao Brasil, a Fortaleza; aluguei um buggy e comecei a explorar a costa do Ceará. Foi assim que conheci Camocim e a Baía das Caraúbas e mais tarde Parnaíba e o seu Delta.

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